Um dos maiores cientistas brasileiros — cofundador do CNPq e pioneiro na física de partículas
César Lattes (1924-2005) foi um cientista brasileiro. Descobriu junto com outros pesquisadores a partícula atômica "méson pi". Estudou física e matemática na Universidade de São Paulo. Com 19 anos era assistente da cadeira de Física Teórica. Durante dois anos estudou os raios cósmicos, em laboratório montado nos Andes, na Bolívia. César Mansueto Giulio Lattes nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 11 de julho de 1924. Era filho de imigrantes italianos. Iniciou seus estudos em Curitiba. Mudou-se para São Paulo e ingressou no Colégio Dante Alighiere e depois na Escola Politécnica. Ingressou na Universidade de São Paulo, onde cursou Física e Matemática. Concluiu o curso no ano de 1943. Seguiu para a Inglaterra com o físico italiano, Giuseppe Occhialini, para trabalhar no Laboratório da Universidade de Bristol sob a direção do físico britânico, Cecil Powell, onde permaneceu entre 1944 e 1945.
Formou-se em Física pela Universidade de São Paulo (USP) em 1943. Pouco tempo depois, participou de pesquisas pioneiras sobre raios cósmicos e a estrutura da matéria.
César Lattes e Giuseppe Occhialini, descobriram uma nova partícula atômica "méson pi" (ou pion), que desintegra em um novo tipo de partícula, o méson um (ou muon), dando início a nova área de pesquisas, a física de partículas.
Em 1947, César Lattes iniciou sua principal linha de pesquisa, “o estudo dos raios cósmicos”, descobertos em 1932, pelo físico norte-americano Carl Davis Anderson. Instalou um laboratório em uma montanha nos Andes Bolivianos, a mais de 5 mil metros de altitude, quando expôs chapas fotográficas à ação de raios cósmicos. Conseguiu assim, verificar experimentalmente a existência dos mésons pesados ou (píons), que se desintegram em um novo tipo de méson positivo com emissão de um neutrino.
Em 1948, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, conseguiu produzir artificialmente o méson, por meio da aceleração de partículas alfa no cíclotron.
Em 1949 Lattes voltou para o Brasil e tornou-se professor da Universidade de São Paulo. Assumiu também o cargo de professor e pesquisador na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, instalado no Rio de janeiro no mesmo ano.
Entre 1955 e 1957 permaneceu nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Física da Universidade de São Paulo. Nessa época, ingressou na Academia Brasileira de Ciências.
Em 1969, cientistas brasileiros e japoneses, sob sua orientação, determinaram a massa das “bolas de fogo”, fenômeno originado do choque intenso de partículas com energia muito elevada, que se supunha serem nuvens de mésons.
O méson pi é uma partícula subatômica — ou seja, menor que o átomo — que atua na força nuclear forte, a força responsável por manter os prótons e nêutrons unidos no núcleo do átomo. Em 1935, o físico japonês Hideki Yukawa previu teoricamente que essa partícula deveria existir. Mas por muitos anos ninguém havia conseguido provar sua existência — até que César Lattes o fez, em 1947.
Em 1947, com apenas 23 anos, Lattes trabalhava com Cecil Powell, na Universidade de Bristol (Inglaterra). Ele utilizou chapas fotográficas especialmente tratadas, levadas aos Andes Bolivianos, onde a radiação cósmica é mais intensa. Nessas chapas, Lattes identificou as trilhas deixadas por partículas desconhecidas. Após análises, confirmou que eram píons (mésons pi) — exatamente a partícula prevista por Yukawa. Essa descoberta foi publicada na revista Nature, uma das mais prestigiadas do mundo.
Comprovou uma teoria fundamental sobre as forças que mantêm o núcleo do átomo estável. Revolucionou a física nuclear e de partículas, abrindo caminho para o modelo padrão da física moderna. Colocou o Brasil no mapa da ciência mundial, pois Lattes foi o principal autor da descoberta experimental. Yukawa, o teórico que previu o píon, ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1949, e o trabalho de Lattes foi essencial para essa conquista. Impacto para a humanidade Essa descoberta foi o primeiro passo para a criação dos aceleradores de partículas modernos (como o LHC). Abriu caminho para o desenvolvimento da energia nuclear, da física médica (como radioterapia e PET scan) e de várias tecnologias derivadas. Inspirou gerações de cientistas e provou que um jovem brasileiro podia mudar a história da ciência mundial.
César Lattes foi um dos fundadores do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), instituição essencial para o financiamento e incentivo à pesquisa científica no Brasil.
Importância para o Brasil: O CNPq impulsiona a formação de novos cientistas, garantindo recursos e oportunidades. Apoia descobertas e inovações em áreas como medicina, física, engenharia, meio ambiente e tecnologia. Contribui para o desenvolvimento econômico e social do país, ao transformar conhecimento em soluções reais.
Trabalhou em instituições de destaque, como a USP, o Instituto de Física da Unicamp e a Universidade de Bristol, na Inglaterra. Seu legado é lembrado por inspirar gerações de cientistas e consolidar a ciência brasileira no cenário internacional.
César Lattes foi um dos maiores cientistas brasileiros. Descobriu o méson pi, partícula fundamental para entender as forças do núcleo atômico. Ajudou a criar o CNPq e o CBPF, fortalecendo a pesquisa científica no Brasil. Formou gerações de cientistas e inspirou o nome do Sistema Lattes, símbolo da ciência nacional.